quarta-feira, setembro 23, 2026
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“Para mim, o mais difícil é entender o que é mudança hormonal e o que é burnout”, revela Camila Fremder

Como identificar se a irritação, a exaustão e as alterações no dia a dia são provocadas por variações hormonais ou se têm relação com os desafios do cotidiano? Essa é uma das questões que conduzem o sexto episódio de Na Palma da Mari: Entre Mulheres, que reúne a escritora e criadora de conteúdo Camila Fremder e a médica endocrinologista Dra. Thais Alves em uma conversa com o tema “Hormônios ou humor real? Nem sempre a culpa é da TPM”. O episódio será exibido no YouTube do CNN Pop na quinta-feira (24), às 20h, e na TV no sábado (26), às 22h45.

Durante o episódio, Camila Fremder compartilha como percebe a variação de humor em sua rotina diária. “Eu sei que estou na TPM quando começo a brigar com móveis, por exemplo, com uma gaveta que não fecha. É uma coisa bem pequenininha. Acho que, quando tenho grandes problemas, eu paro para resolver aquilo e não fico me lamentando. Mas é na coisinha boba, sabe? Você coloca um pão na torradeira, alguém mexeu no nível e o pão sai totalmente torrado. Essas coisas me irritam mais do que coisas muito grandes”, conta.

A Dra. Thais Alves pontua a frequente associação do comportamento feminino ao período pré-menstrual, ressaltando que “a mulher não tem direito de ficar irritada, porque é sempre: ‘Está na TPM’”. Camila concorda e complementa: “E, às vezes, eu estou realmente na TPM. Mas, às vezes, você só é chato. Você só é uma pessoa desagradável, que fez uma coisa muito ruim para mim. Não é TPM. Eu tenho o meu direito de me irritar naturalmente também. Às vezes você despertou isso em mim. A culpa é sua”.

Sobre a identificação técnica dos sintomas, a Dra. Thaís Alves explica que a irritação da TPM acontece por oscilação hormonal próxima à menstruação, em torno de cinco dias antes. Para Camila Fremder, que não menstrua mais após passar por uma retirada de útero em decorrência da endometriose, a identificação se torna mais abstrata. Ela também relembra a demora para entender o próprio ciclo na juventude: “Quando eu era adolescente, a gente escondia muito a menstruação. Passava o absorvente de uma para outra escondido dentro do moletom. Era uma temática que não era abordada com tanta naturalidade. Acho que comecei a me dar conta mais velha”.

A Dra. Thaís Alves esclarece que o avanço dos estudos levou à mudança do termo para síndrome pré-menstrual por envolver também alterações físicas, como distensão abdominal, náuseas, alterações de sono e de intestino. A médica alerta ainda para o transtorno disfórico pré-menstrual, forma mais grave que impacta diretamente a produtividade e os relacionamentos.

“E quantas mulheres não estão sofrendo com isso e nem sabem que existe? Estão colocando essa culpa nelas, quando talvez mereçam uma abordagem médica direcionada”, destaca a endocrinologista.

A normalização da dor também atrasou o diagnóstico de endometriose de Camila Fremder, que precisou remover o apêndice e trecho do intestino na cirurgia.

“Aconteceu comigo de achar que era normal a dor que eu sentia com a endometriose, porque a gente escuta muito isso: ‘Vai doer, é assim mesmo, a cólica é forte’. E aí você vai achando que é dessa maneira, que todo mundo está sentindo o nível de cólica que você está sentindo. Eu estava tomada pela doença, mas achando que era uma coisa normal, que todo mundo sentia aquilo”, revela.

A dificuldade feminina de sinalizar fragilidades e pedir ajuda diante de rotinas intensas também ganha destaque na fala de Camila: “Como a gente tem essa coisa de ter que dar conta de tudo, sinalizar uma fragilidade é difícil também. Às vezes a gente não recorre à ajuda porque acha que está exagerando, que vai dar conta, que vai aguentar. E, às vezes, não aguenta. Ou até esconde o que está sentindo. Bate no peito e fala: ‘Não estou bem hoje, mas vou levantar, levar o filho para a escola, buscar, levar ao médico, limpar a casa’. E você está lá com uma dor que, às vezes, é incapacitante”.

Ao abordar os cuidados com o envelhecimento, Camila reforça a importância da organização, da alimentação saudável e da prática de exercícios físicos. A Dra. Thaís Alves compara esse planejamento contínuo a um investimento financeiro:

“Isso que a Camila está fazendo é uma construção, é uma poupança. A gente não faz um investimento para a aposentadoria? Isso também é um investimento: a gestão da sua saúde agora, a construção do seu músculo agora, para quando você tiver 75 anos e quiser viajar pelo mundo. É construir hoje para usufruir depois”.

Por fim, Camila relata um episódio pessoal em que confundiu esgotamento profissional com alterações hormonais. “Para mim, o mais difícil é entender o que é mudança hormonal e o que é burnout. No começo deste ano, eu estava me sentindo muito exausta, com a memória complicada. Fiz todos os exames e, indo para a consulta, parei na porta de um hospital porque coloquei o endereço errado. Comecei a chorar e falei para o meu médico: ‘Não sei o que eu tenho. Acho que estou na menopausa’. E ele falou: ‘Seus exames estão ótimos. Acho que você precisa tirar um tempo para você. Você está fazendo muita coisa’”.

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