quinta-feira, dezembro 11, 2025
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“Somos uma região de paz e queremos continuar assim”, diz Lula na IV Cúpula da Celac-UE

Em discurso na IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e da União Europeia (UE), realizada neste domingo, 9 de novembro, em Santa Marta, Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o papel central dos dois blocos para uma ordem mundial baseada na paz, no multilateralismo e na multipolaridade. 

O presidente fez uma forte defesa da retomada da integração regional que, segundo ele, vive uma profunda crise. “Voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria”, avaliou Lula, ao cobrar avanços concretos na pauta econômica, com destaque para o Acordo MERCOSUL-União Europeia. 

O presidente Lula fez um diagnóstico sobre o momento atual da América Latina e do Caribe e mencionou o retorno de ameaças como o extremismo político e o crime organizado. Além disso, afirmou que a guerra na Europa consome recursos essenciais para o desenvolvimento. 

Lula alertou que projetos pessoais de poder estão minando a democracia e que disputas ideológicas impedem a cooperação, resultando em cúpulas vazias e com iniciativas que não saem do papel.

 “A intolerância ganha força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa. Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado”, enfatizou. 

“Somos uma região de paz e queremos permanecer assim. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional. A democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos, destrói famílias e desestrutura negócios”, sentenciou Lula. 

SEGURANÇA E COOPERAÇÃO — O presidente Lula destacou que a segurança é um dever do Estado e um direito humano fundamental e que o combate à criminalidade não pode ser feito violando o direito internacional.

Ele também defendeu que nenhum país pode enfrentar o crime transnacional isoladamente. “Não existe solução mágica para acabar com a criminalidade. É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas”, disse Lula. 

Como exemplos de sucesso na cooperação, o presidente citou a renovação do Comando Tripartite da Tríplice Fronteira, com Argentina e Paraguai, e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne nove países sul-americanos.
 

“Ações coordenadas, intercâmbio de informações e operações conjuntas são essenciais. Essas são plataformas permanentes de cooperação para combater crimes financeiros e o tráfico de drogas, de armas e de pessoas”, registrou Lula.
 

AGENDA ECONÔMICA — Na pauta econômica, o presidente Lula apontou o Acordo MERCOSUL-União Europeia como prova de que é possível fortalecer o multilateralismo comercial. Ele manifestou a esperança de que, na próxima cúpula do MERCOSUL, em dezembro, os dois blocos possam “finalmente dizer sim” ao acordo. 

“Também temos um enorme potencial de aprofundar nossos laços econômicos. Espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim para o comércio internacional baseado em regras como resposta ao unilateralismo”, disse o presidente. 

Lula destacou que o instrumento integrará um mercado de 718 milhões de pessoas e será essencial para que a América Latina e o Caribe revertam seu papel histórico de fornecer matéria-prima e mão-de-obra barata para o mundo desenvolvido.
 

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