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Coluna Intervalo

O destaques do mundo do esporte
Por Cristiano Alves

Publicada em 24 de Julho de 2015 ás 21:53:54

Intervalo por Cristiano Alves

 HÁ ALGUM TEMPO – Venho ouvindo discussões sobre a questão da Seleção Brasileira ter ou não um treinador estrangeiro no seu comando. Há quem defenda a contratação de Pepe Guardiola para comandar a “Canarinha”, mas sinceramente, diante da atual situação do futebol brasileiro de nada adiantaria porque o problema não é somente técnico, É bem mais profundo.

É VERDADE – Que a maioria dos treinadores brasileiros está “viciada” com as mumunhas do futebol, os trambiques e cambalachos feitos dentro da estrutura. E tem gente que ainda defende técnicos de fora como se eles fossem os deuses em técnica e tática, ou seja existe a clara inversão de valores porque seriam eles, os estrangeiros a virem para cá aprender com a gente.

TALVEZ – A presença do Guardiola poderia trazer algo novo em termos de esquema de jogo, mas ai vai a pergunta: será que ele entraria no esquema de favorecimentos como a maioria dos profissionais aqui no Brasil se submete? Sinceramente eu não sei não porque a cultura europeia é totalmente diferente da nossa.

NÃO CONSIGO – Entender por que o país que ainda tem o melhor futebol do mundo tem que copiar esquemas europeus, “podando” muitas vezes o talento dos jogadores, ou ainda explorando quase nada dos nossos atletas. Antigamente, tínhamos 11 craques em campo, mas hoje o que temos se resume a um jogador: o Neymar e pronto. Este, antigamente era o estilo europeu e continua sendo em muitos lugares e o Brasil simplesmente hoje copia e não é mais copiado.

LEMBRO-ME – Que quando eu ainda jogava bola, os babas que a gente organizava não tinha essa história de guardar posição, ou seja, a gente tinha a liberdade de jogar onde a gente quisesse e como quisesse. Hoje, o menino desde os oito anos já é condicionado taticamente pelos “professores” das escolinhas. Comparando seria a mesma coisa de você domar um animal, que por natureza é selvagem.

O QUE – Se vê hoje são jogadores saindo cada vez mais cedo do Brasil. Trocando em miúdos, o moleque bate uns pontinhos, faz umas firulas com a bola e já é craque, ou seja, não tem uma preparação adequada em todos os sentidos. Aí mais tarde vêm as frustrações. Olha o Jobson aí? Um cara que tinha tudo para explodir no futebol, mas não tem cabeça, não teve preparação e está nesta situação terrível.

OLHA – O que estão fazendo com este menino Gerson no Fluminense? Ele tem 17 anos e o Barcelona pagou para ter preferência numa negociação futura. O menino tem potencial, mas cadê a base? Cadê o aprimoramentos técnico e tático? Não se fala nisso e sim nos milhões e milhões que vão ser gerados com a transação.

NINGUÉM – Se preocupa com esta parte. Aí, quando o cara vai para um clube rígido, sério, onde as regras são diferentes é logico que ele sente porque ele mesmo não tem consciência de que precisa melhorar, não tem paciência para esperar e acaba metendo os “pés pelas mãos”, ajudados pelos empresários. É absurda esta situação.

POR ISSO – Hoje, muitos clubes pensam e repensam sobre as divisões de base porque a enxergam como um problema e não uma solução. Quem vai querer investir num atleta para que depois de um determinado período ele fique livre para ir para qualquer lugar? Ninguém mesmo, pois o entendimento é que a Lei Pelé dá esta liberdade aos atletas e destrói as pretensões dos clubes.

VOLTANDO A “VACA FRIA” – A cultura futebolística nossa é tão obsoleta e tacanha que ainda estamos nessa de achar que um treinador é um verdadeiro mágico. É só ele chegar e muda tudo de uma hora para outra. Com jogadores também se tem o mesmo pensamento: “o time vai ser campeão porque contratou fulano”. Porém tem um ditado que vem bem a calhar nesta situação “Uma andorinha só não faz verão”. Preciso dizer mais alguma coisa?

NADA CONTRA – A inovação de se trazer um treinador estrangeiro, mas antes mesmo de se pensar nisso é muito mais interessantes se pensar em profundas alterações no nosso futebol, principalmente na forma como ele está sendo gerido. A partir desta mudança, aí sim se pode pensar em um treinador de fora.

POR ENQUANTO – Penso que se houver uma situação diferente desta seria o mesmo que dar “murro em ponta de faca”. Ou se muda a mentalidade ou ainda vamos ouvir e ver muitos e muitos escândalos acontecerem envolvendo o futebol brasileiro. 

Cristiano Alves - Jornalista - DRT-BA-2300

Colunista de Esporte do Portal MF e Editor chefe do Jornal Folha do Estado 

Por Cristiano Alves

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