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Coluna Feira Terra de Cultura

Tudo sobre a cultura feirense.
Por Emerson Azevedo

Publicada em 09 de Novembro de 2017 ás 14:54:46

Secretaria de Cultura da Bahia assegura repasse financeiro a dezessete instituições culturais

Foto: Lucas Rosario

 A Secretaria de Cultura da Bahia assina Termo de Acordo e Compromisso (TAC) com dezessete organizações culturais sem fins lucrativos, contempladas pelo Edital de Ações Continuadas de Instituições Culturais. Com recurso do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA), o apoio é fundamental para a manutenção e sustentabilidade dos espaços culturais, que receberá aporte financeiro para o triênio (2017-2020). Para 2017 serão destinados aproximadamente três milhões de reais. Entre 2018 e 2019 o valor já assegurado é cerca de dezesseis milhões. Para 2020 o recurso destinado é de aproximadamente cinco milhões de reais. 

Para Vovô, presidente do Primeiro Bloco Afro do Brasil, o apoio permite ao Ilê Aiyê a sustentabilidade e longevidade das ações da instituição que recentemente completou 44 anos. Segundo o presidente, sem o investimento do Estado, o Ilê Aiyê é obrigado a custear a manutenção com a venda de ingressos, muitas vezes insuficiente para o cachê dos músicos e bailarinos. Este apoio dá as condições para uma instituição tão importante para a cultura afro-brasileira, a continuar pensar o novo, assim como em 74- disse. 

O edital de Apoio a ações continuadas de instituições culturais 2017/2020, tem como fonte de recursos o Fundo de Cultura da Bahia. Prevê repasses financeiros através do acompanhamento de planos de ação, no qual os proponentes necessitam apresentar o cumprimento das metas informadas em seus respectivos planos de ação. 

Com 53 anos, o Teatro Vila Velha é um espaço que tem em seu DNA o ambiente da resistência na criação artística, mantendo-se como um teatro político e resistente. Para a coordenadora geral do teatro, Bianca Araújo, a participação do Estado apoiando os espaços de culturais da cidade ratifica o estado republicano das políticas culturais do governo, mesmo em uma conjuntura nacional desafiadora.

 Com 100 anos de fundação, a Academia de Letras da Bahia, instituição de prestígio por disseminar as letras e as literaturas brasileiras, é um espaço que congrega em sua história artistas e pensadores da cultura. Situada no Palacete Góes Calmon, na Avenida Joana Angélica, a biblioteca e o arquivo, guardam valiosas obras para a memória cultural do Brasil. Evelina Heisel, primeira mulher a presidir a Academia, ressalta que o apoio é de extrema importância pela sua singularidade. É uma instituição que não executa atividades mercadológicas, tornando o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura fundamental pela necessidade em assegurar o patrimônio material dos serviços, e imaterial, ao apostar na literatura como uma arte redentora e salvadora. 

A Fundação Casa de Jorge Amado, ponto de referência no Pelourinho que tem como missão preservar e difundir a memória do Jorge Amado, além dos arquivos do escritor reúne o acervo de sua esposa e também escritora, Zélia Gattai. A Casa Azul, situada no Largo do Pelourinho, recebeu o arquivo pessoal da escritora e ex-diretora da Fundação durante trinta anos, Miriam Fraga, e se destina a manter, entre mais de trezentos mil itens, a memória destes autores que fazem parte da história da Bahia. Para Ângela de Sá, diretora executiva da fundação, o apoio continuado do Fundo de Cultura é imprescindível por assegurar o custeio básico da instituição que consegue ter fôlego para se capitalizar e fortalecer a cultura da Bahia. 

A Casa de Jorge Amado recebe aproximadamente oitocentos estudantes por mês. Realiza cursos, seminários, lançamentos de livros e é a criadora do Flipelô (Feira Literária Internacional do Pelourinho), evento idealizado por Myriam Fraga que teve a primeira edição em 2017. Com apoio do Estado a instituição tem contribuído para o fortalecimento do Pelourinho como um ambiente vivo e de intercâmbio cultural. 

O Balé Folclórico da Bahia, instituição que preserva as tradições culturais e populares do estado por meio da dança foi contemplado no edital. Há 13 anos administrando o Teatro Miguel Santana o Balé Folclórico tem em suas realizações, além dos espetáculos apresentados, a formação de jovens, fomentando o ingresso destes bailarinos no mercado de trabalho, nacional e internacional. Para Vavá Botelho, diretor executivo do Balé, há contextos diversos enfrentados no Pelourinho que tem inviabilizado a presença do público, sempre majoritariamente de turistas. Sem público não há bilheteria. Segundo o diretor, o apoio oriundo do Fundo de Cultura é vital para a manutenção das ações no espaço.  “A cultura precisa ser elevada, porque é ela que atinge a educação e move o mundo”- acrescentou.

A mais recente seleção do edital de ações continuadas convocou as seguintes instituições culturais: Academia de Letras da Bahia, Fundação Anísio Teixeira, Balé Folclórico da Bahia, Fundação Casa de Jorge Amado, Fundação Hansen Bahia, Museu Carlos Costa Pinto, Fundação Pierre Verger, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Museu da Misericórdia, Teatro Vila Velha, Teatro Gamboa Nova e Teatro Popular de Ilhéus (que tiveram continuidade); e também Centro Cultural e Educacional Senzala do Barro Preto (Ilê Aiyê), Associação Cultural do Samba de Roda Dalva Damiana, Projeto CultAs – Cultura Ativa no Sisal, Projeto Espaço Cultural Saici e Casa de Cultura Jonas e Pilar em Buerarema. 

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br

 

Por Emerson Azevedo

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