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Coluna Feira Terra de Cultura

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Por Emerson Azevedo

Publicada em 24 de Janeiro de 2016 ás 13:36:32

Com recursos próprios, o artista Marcio Punk, resgata a tradição do Sambão no distrito de Maria Quitéria.

Foto: Emerson Azevedo / Terra de Lucas

 No próximo domingo, 24 de janeiro, o “Sambão de São José”, no distrito de Maria Quitéria, será resgatado e reintegrado ao patrimônio cultural da Bahia, a partir das 09 horas da manhã, na praça principal do distrito. Já estão confirmadas as presenças de pessoas que fizeram parte da primeira formação, como também, oficinas de pintura e pulverografia, grafiteiros, arrastão pelas ruas, bailarinas da cultura afro, além da prestação de homenagens a ex-integrantes do sambão, já falecidos, entre outras grandes novidades e surpresas.   

De acordo com o artista, tatuador, pulverógrafo, e ativista cultural, Marcio Punk, o “Sambão” surgiu na década de 80, o qual era formado por grupos de amigos, que normalmente eram convidados a tocar em lotações de viagens nos finais de semana, como também, em estádios nas partidas de futebol.“Quando ia pra praia botava o sambão no ‘buzú’, eles cantavam e tocavam daqui até lá sem parar, fazendo pout porri, com músicas de sucesso do axé, do rock, do reggae, tudo em forma de samba,” pontua Punk. 

Marcio Punk conta ainda, que a iniciativa de resgatar o “Sambão” surgiu a partir de um convite à localidade, onde morou de 1981 a 1989, para participar do aniversário de um amigo, nisso revisitou parentes e outros amigos de infância e adolescência, quando presenciou a apresentação improvisada um grupo formado por jovens moradores. Marcio relata que eles estavam utilizando como instrumentos musicais: latas vazias de tinta, panelas velhas de alumínio, tampas de panelas, vasilhas de garrafas d’água, colheres de pau, entre outros. “Eles estavam tocando bonito, eu toquei junto com eles, aí me bateu um choque, e pensei: ‘eu vou resgatar esse sambão!’ É uma cultura que não existe mais.”

Algo curioso é que o artista relata que quando pequeno acompanhou muitas apresentações do sambão e foi onde aprendeu tocar um pouco de percussão também, o que motivou ainda mais essa retomada. “Aí eu percebi que esse estilo de sambão sumiu na Bahia toda, ele existia em vários bairros da cidade, e em vários locais da Bahia. Me bateu a ideia de comprar instrumentos novos e dar pro pessoal resgatar esse sambão.”   

Contudo, Marcio fala do valor cultural do movimento, detalhando como funciona. “Eu acredito que é um resgate muito importante, principalmente para as gerações mais novas, que nunca viram, não sabem o que é um sambão! O sambão original tem como instrumentos: reco reco, pandeiro, tamborim, surdão 105, e timbau, não usa microfone na voz e nem caixa de som. Então, todo mundo canta, todo mundo toca, e vai passando os instrumentos de um pro outro... Eu trabalhei, fiz muita tattoo e consegui comprar esses instrumentos com, Luiz, o dono da loja Brilha Som, que fez um preço bom e facilitou o pagamento, e eu tô muito feliz,” explicou emocionado.   

O ativista lembra que bairros como Rua Nova, Baraúnas e Campo Limpo também tinham sambão, os quais acabaram desaparecendo ao longo dos anos pela falta de manutenção dessa manifestação cultural e renovação da geração. Portanto ele sugere que se tiver algum remanescente da época, que o procure, pois há interesse em unir esforços e resgatar essa manifestação que faz parte da tradição e história cultural de Feira de Santana. 

Fonte: Terra de Lucas 

 

Por Emerson Azevedo

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